ESPECIAL MÊS DO ORGULHO ALGUÉM AVISA, COM: TAYNAH IGNACIO

Em Junho ao redor do mundo todo é celebrado o mês do orgulho LGBT. A data se tornou representativa após o início dos movimentos iniciados em Nova Iorque. O mês faz referência à revolta de Stonewall, ocorrida em 28 de junho de 1969, quando um grupo de LGBT’s resolveu enfrentar a frequente violência policial sofrida pelos homossexuais. Por isso, neste mês tão importante reunimos algumas entrevistas de pessoas que fazem parte da comunidade, para falarem sobre a data.

Nossa entrevistada hoje é: Taynah Ignacio, militante sapatão, é uma das organizadoras da Parada Livre de Porto Alegre, que anualmente leva dezenas de milhares de pessoas às ruas na cidade. Militante organizada do Movimento Esquerda Socialista (MES), tendência fundadora do PSOL. E também é uma das organizadoras do livro Tem Saída? Perspectivas LGBTI+ sobre o Brasil que é uma parceria Casa da Mãe Joanna e Editora Zouk, e que está em pré-venda nesse link. Confira a entrevista:

1 – O que é orgulho LGBT para você?

Orgulho para mim é muito mais do que consta no dicionário. No contexto de ser LGBT, orgulho se assemelha muito à resistência, a dar a cara a tapa, a ir para rua lutar pelo direito de existir, que é tão básico. Orgulho é se encontrar no outro, ver que não está sozinho e, com estes outros que se enxerga, encontrar forças para lutar e seguir por si e pelos que ainda precisam da gente. 

2 – O que você diria para quem nesse momento está em uma situação de medo?

Que o medo passa e que temos diversas pessoas que antes da gente já passaram por medo e muito mais coisas, para que cada vez menos pessoas se sintam assim. E quando esse medo diminuir, que se somem com a gente nas lutas, pois só assim conseguiremos avançar.

3 – O que você deseja para 2020 e o que acha ser necessário fazer para que isso aconteça?

Meu maior desejo hoje é que o Bolsonaro caia. Há muito denunciávamos as peripécias desse canalha e agora a sociedade como um todo pode ver o quão podre ele é. Para isso, precisamos de muita, mas muita mobilização, pressão e luta.

4 – O que não podemos mais tolerar?

Que tenhamos um sistema que use da exploração da maioria da população para manter os mais ricos super ricos e os mais pobres cada vez mais pobres. E que isso tem a ver com as LGBTs? Tudo. LGBTs não estão excluídos disso, do debate anticapitalista. Se não, não estaríamos lutando por emprego dignos para travestis, transexuais, para que LGBTs não sejam mortas todos os dias, para que tenhamos uma educação digna e entendamos para além do básico – a nossa real história e que usemos dela para não repetir os erros do passado.  

5 – Quem é a sua maior referência no mundo LGBT?

Não sou uma pessoa que cultua figuras, referências, ídolos e etc. Mas coloco como referência quem faz da sua vida um instrumento de luta, não só para si, mas para um coletivo. Então se você luta pelo coletivo, você será referência não só pra mim, mas também para outras pessoas à sua volta.

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