GABRIEL GALLI DO FREEDA LANÇA CAMPANHA COM A PERGUNTA: ‘ORGULHO DE QUÊ?’

Faz 50 anos que um monte de travestis e bichas se revoltaram na frente do bar Stonewall Inn nos Estados Unidos depois de anos de agressões e humilhações.

Desde então, esse ficou conhecido como o dia do Orgulho. O orgulho de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e todas as pessoas que precisam reafirmar todos os dias que tem direito de viver.

Mas tem muita gente que não entende ou não quer entender o que sentimos. Eles perguntam: “mas vocês têm orgulho de quê?”

A gente se orgulha de não acreditar que somos sujos. Que somos doentes.

Nos orgulhamos de ter força para enfrentar nossas famílias, aqueles que mais deveriam nos proteger, mas nem sempre o fazem. E daquelas mães, pais, avós e irmãos que nadam contra a correnteza para não nos deixar na mão. Daqueles pais e mães que decidiram começar uma nova família através da adoção, com muito amor e enfrentando todos os preconceitos

Nos orgulhamos de quem resolveu enfrentar as expectativas dos outros e assumir quem ama. De quem casou com um, com mais de um ou que decidiu formar uma família diferente.

A gente tem orgulho da determinação que precisamos ter quando nos damos conta que nem sempre teremos as mesmas oportunidades no mercado de trabalho. Nos orgulhamos dos veados, das sapas, das bis
e das trans e travestis que conseguem superar o bullying e resistir nas escolas e universidades. E nos orgulhamos também daquelas que precisam batalhar nas ruas,

Nos orgulhamos daquelas poucas que conseguiram um espaço nas câmaras, assembleias e no Congresso Nacional eque lutam contra políticos que ganham a vida em cima do ódio e da nossa dor.

Temos orgulho daqueles que lutam todos os dias e daqueles que tombaram vítimas do preconceito, da violência, da AIDS e da miséria.

Nos orgulhamos em poder transformar nossas vivências em arte e de mostrar ao mundo que não precisamos ser de uma forma só. Não precisamos amar de uma forma só. Não precisamos sentir de uma forma só. Não precisamos viver de uma forma só. Não precisamos viver sós.

Nas ruas, nas redes, temos orgulho de estarmos juntos.

Orgulho de continuar resistindo.

(Texto e Vídeo por Gabriel Galli)

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