“TOM OF FINLAND” IRÁ REPRESENTAR A FINLÂNDIA NO OSCAR 2018

O filme “Tom of Finland”, de Dome Karukoski, que irá representar a Finlândia no Oscar 2018 quase não conseguiu sair do papel por conta da dificuldade de encontrar patrocinadores. Como ninguém queria pagar para produzi-lo, seus produtores acabaram abrindo um crowdfunding para conseguir o dinheiro necessário, acreditando no poder da comunidade gay mundial. O resultado é um longa incrivelmente benfeito, com uma história inspiradora e muito excitante. O longa conta a história de Tom, que antes se chamava Touko Valio Laaksoneen, e sua participação no exército finlandês durante a Segunda Guerra Mundial. Tom of Finland (8 de Maio de 1920 — 7 de Novembro de 1991) foi um artista finlandês conhecido pelo seu trabalho de caráter homoerótico. Em 1953 ele conheceu Veli, com quem viveria os próximos 28 anos, numa esquina a alguns quarteirões da sua casa. No final de 1956, Touko mandou seus desenhos secretos para uma popular revista americana de homens musculosos, tendo o cuidado de usar o pseudônimo Tom. O editor se interessou e a capa da edição de primavera de 1957 trouxe um lenhador sorrindo, desenhado por “Tom of Finland”. Foi uma sensação. Touko se tornou Tom e, a partir de então, o resto se tornou história. A demanda por aquilo que Tom classificava como “desenhos sujos” cresceu rapidamente, mas nem a arte erótica ou a arte homossexual era bem paga nos anos 50. Parou de tocar piano para se dedicar à sua arte e, só a partir de 1973, conseguiu ganhar dinheiro com seus desenhos e deixar do trabalho em propaganda. Uma vez que pôde dedicar seu tempo integral aos desenhos eróticos, Tom combinou detalhes foto-realísticos com suas fantasias sexuais mais selvagens, a fim de produzir um trabalho repleto de homoerotismo, provavelmente nunca antes mostrado. A representação de detalhes, como as botas e as roupas em couro que Tom fez, chamava a atenção pela sua perfeição. O brilho que esses objetos de fetiche transmitem via papel, desenhados com um simples lápis preto, e a força de seus desenhos, costuma aguçar a imaginação dos observadores.

No filme, a barra começa a pesar após o fim do guerra, pois era crime ser gay na Finlândia. No entanto, nada que uma praça pouco iluminada e um olhar atento – para ver quando a polícia estivesse se aproximando – não resolvesse. A construção de uma rede de amizades para uns protegerem os outros, a complacência de algumas esposas, a violência física e psicológica sofrida até a descoberta do amor são elementos presentes no filme. Curioso que ele ainda teve de enfrentar uma grande insegurança até descobrir se o seu trabalho poderia ser considerado arte ou não, apesar de ser rentável. 

Confira o trailer:

Outro ponto de destaque sobre Tom – e que pouca gente sabe – é a sua crise com o surgimento da Aids. Ele já era um artista famoso e bem-sucedido nos EUA, mas se sentiu responsável pelas contaminações, porque seus desenhos despertavam o desejo sexual das pessoas, o que teria feito o vírus se espalhar, segundo sua cabeça. O artista não só acaba por entender que não tem culpa, como ainda tem participação ativa nas organizações responsáveis por arrecadar dinheiro e dar suporte aos contaminados. 


Fonte: Empoderadxs

Veja mais no site do Alguém Avisa e siga também as atualizações nos perfis oficiais no Twitter, no Facebook e no Instagram.